Bioengenharia e Imunoterapia – uma sinergia para o futuro

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Bioengenharia e Imunoterapia – uma sinergia para o futuro

Sexta, 27.12.2019

A estimulação do sistema imune é há muito reconhecida como uma estratégia efetiva para o combate ao cancro, remontando as primeiras observações a meados do século XIX e aos trabalhos William B. Coley. No entanto, foi apenas na última década que o verdadeiro potencial da imunoterapia foi revelado com a introdução na prática clínica de checkpoint inhibitors, (prémio Nobel da Medicina e Fisiologia 2018) e mais recentemente das terapias de células T com recetor de antigénio quimérico (CAR-T cells). Uma outra abordagem que, nos últimos 20 anos, tem vindo a ser amplamente testada é a da criação de vacinas antitumorais de células dendríticas (CDs). Estas células funcionam como sentinelas do nosso sistema imune tendo um papel central no desencadear e na modulação das respostas imunes contra os tumores. Vacinas antitumorais baseadas em CDs têm sido alvo de inúmeros ensaios clínicos, tendo sido demonstrado a segurança da abordagem, no entanto com resultados clínicos, algo aquém do esperado. Sendo-lhes reconhecido um enorme potencial, e conhecendo-se atualmente algumas das limitações responsáveis pela inconsistência dos resultados clínicos gerados, têm sido estudadas e testadas várias estratégias de inovação para este tipo de vacinas. No presente trabalho e publicação, desenvolvido por investigadores da Universidade de Coimbra, da empresa farmacêutica portuguesa Tecnimede Group e da Universidade de Aveiro, foi recolhida, estudada e sistematizada toda a informação disponível à data sobre uma das mais promissoras estratégias para capitalizar todo o potencial de vacinas de CDs: a utilização de biomateriais sob a forma de scaffolds/matrizes, implantáveis ou injetáveis, programadas para funcionarem como plataformas que mobilizam CDs endógenas, fornecendo-lhes simultaneamente antigénios tumorais e agentes de maturação e ativação. Neste artigo é ainda abordado como terapias oncológicas de última geração, tais como o recurso a neoantigénios e inibidores de immune checkpoints, podem ser incorporadas e combinadas com estas novas vacinas de CDs, aumentando exponencialmente a sua aplicabilidade e eficácia clínica. 

 

Autores e Afiliações:

João Calmeiroa,b, Mylene Carrascalb, Célia Gomesc,d, Amílcar Falcãoa,e, Maria Teresa Cruzab, and Bruno Miguel Nevesf

a Faculty of Pharmacy, University of Coimbra, 3000-548, Coimbra – Portugal

b Center for Neuroscience and Cell Biology, University of Coimbra, 3004 -504 Coimbra - Portugal

c Coimbra Institute for Clinical and Biomedical Research, Faculty of Medicine, University of Coimbra, Coimbra - Portugal

d Center for Innovation in Biomedicine and Biotechnology, University of Coimbra, Coimbra –Portugal

e Coimbra Institute for Biomedical Imaging and Translational Research (CIBIT), University of Coimbra, Coimbra -Portugal

f Department of Medical Sciences and Institute of Biomedicine – iBiMED, University of Aveiro, 3810-193, Aveiro – Portugal

 

Abstract:

Dendritic cells (DCs) are central players in the immune system, with an exquisite capacity to initiate and modulate immune responses. These functional characteristics have led to intense research on the development of DC-based immunotherapies, particularly for oncologic diseases. During recent decades, DC-based vaccines have generated very promising results in animal studies, and more than 300 clinical assays have demonstrated the safety profile of this approach. However, clinical data are inconsistent, and clear evidence of meaningful efficacy is still lacking. One of the reasons for this lack of evidence is the limited functional abilities of the used ex vivo-differentiated DCs. Therefore, alternative approaches for targeting and modulating endogenous DC subpopulations have emerged as an attractive concept. Here, we sought to revise the evolution of several strategies for the in situ mobilization and modulation of DCs. The first approaches using chemokine-secreting irradiated tumor cells are addressed, and special attention is given to the cutting-edge injectable bioengineered platforms, programmed to release chemoattractants, tumor antigens and DC maturating agents. Finally, we discuss how our increasing knowledge of DC biology, the use of neoantigens and their combination with immune checkpoint inhibitors can leverage the refinement of these polymeric vaccines to boost their antitumor efficacy.

 

Revista: Journal for ImmunoTherapy of Cancer, from Springer Nature

 

Link: https://jitc.biomedcentral.com/articles/10.1186/s40425-019-0716-8